GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

Reunião do G20 – A Crise Financeira Mundial

25 25UTC setembro 25UTC 2009

…não nos basta mais do mesmo.

Um a um, todos os governos abandonaram as suas políticas monetárias para recorreram à emissão de moeda. Mesmo que ainda não compreendidas por alguns e aceitas por muitos outros, ergueram barreiras intransponíveis ao velho e inconseqüente sistema financeiro e monetário internacional. A desintegração das relações entre os Bancos e os mercados felizmente não acabou em mais uma guerra mundial, mas a mudança é inevitável.

Hoje todos os governos e os seus Bancos salvos aparente e momentaneamente da flagrante e total insolvência, continuam a gozar da prerrogativa de fazer aquilo que proíbem sob as mais severas penas aos particulares: falsificar dinheiro.

Todas essas estruturas terão de ser fundamentalmente alteradas, não porque sejam inerentemente ruins, nem porque sejam controladas por essa ou aquela classe ou grupo. Mas porque são, cada vez mais, inoperantes. Não se adaptam mais às necessidades de um mundo radicalmente mudado e que foi descoberto em sua absurda teoria econômica.

Mostraram-se a fragilidade das economias, das políticas das finanças, das leis do chamado “Mundo Fundamental”. Os bancos emprestando a juros contaminados além de suas reservas, e, criando dinheiro do nada com uma simples penada contábil.

Mas, é chegada a hora de imaginarmos alternativas completamente novas, de discutir, discordar, debater e projetar, a partir dos alicerces, a arquitetura monetária e financeira do planeta terra. Diferente do que temos hoje e, talvez, infinitamente melhor.

As implicações dessa “Essencial Mudança” na forma de gerar riquezas capazes de sustentar o desenvolvimento dos homens e do planeta em que vivemos, são tão revolucionárias quanto a própria Era do Conhecimento. A oferta de moeda na economia mundial será regulada pelas necessidades do planeta e não por aquelas de alguns seres humanas míopes e suas necessidades hedonistas e ideológicas de poder.

O fato é que, criar uma “Civilização Essencial” por sobre os escombros de instituições financeiras criadas como fundamentais, implica em um projeto de estruturas políticas novas, mais apropriadas, e isso se faz necessário de imediato, em muitas das nações que tentam desesperadamente manter o que já terminou.

Quem não está nada satisfeito com esse arranjo são os bancos, e, principalmente, os governos. Os bancos porque querem sempre emprestar além de suas reservas e a juros impagáveis por qualquer atividade séria.  Os governos porque recebem parte do recurso que é extorquido do setor privado e das pessoas físicas.

O que hoje acontece no mundo, explicitado pela crise financeira mundial, demonstra o quanto é necessário um salto de consciência.

Ao olharmos para um planeta ou uma pessoa, vemos que, quando sadios, os sistemas naturais tendem a manter algum tipo de circulação interna que lhes traz nutrição e bem-estar. Esses sistemas naturais têm o poder de limpar e vitalizar o corpo. 

A economia, contudo, não é um sistema natural. Sua estrutura, criada pelo homem, não foi construída a partir de uma perspectiva sistêmica e não foi concebida como uma via de circulação da riqueza do empreendimento humano para todas as partes que o constituem. 

A premissa de nosso modelo econômico é a sobrevivência; é a competição das partes do sistema umas contra as outras. A lei da selva econômica é matar ou morrer; é a sobrevivência do mais forte.

Todas as formas e estruturas de nossa sociedade foram criadas pela mente humana num momento em que estava cheia de medo e ignorância, inconsciente de sua conexão com outras mentes e vidas. 

Agora, nações ou grupo de pessoas começaram a compreender suas interconexões e o fato de que ninguém pode realmente ganhar, a menos que todos ganhem então a competição poderá ter um significado mais elevado.

Ela poderá ser o desafio para o espírito humano empenhar-se além das limitações do passado e criar uma sociedade baseada nos princípios e leis naturais de compartilhamento e ganho mútuo. Promovendo a formação de riquezas capazes de financiar o progresso do planeta e estimular a auto-realização das pessoas.

Nessa nova forma de pensar, as empresas poderão lançar desafios e competir de maneira sadia para incrementar a qualidade de seus produtos e serviços. 

Na verdade, ainda não temos uma compreensão do incrível desperdício de recursos que esse descontrole destrutivo nos custou. Permitimos, até hoje, que impérios econômicos sejam construídos e mantidos por todo o planeta.

Por isso, a competição, como a entendemos, irá eventualmente ceder seu lugar à cooperação. Estudos interculturais de Margaret Mead mostram que a cooperação é mais eficaz que a competição na maximização da produção. 

A cooperação é a tendência natural dos seres humanos de trabalharem juntos pelo bem comum e é um pré-requisito à sobrevivência da família humana.

Hoje, as apostas são muito mais altas, o tempo é mais curto, a aceleração maior, os perigos ainda maiores. Mas, acima de tudo, nunca tantos tiveram tanto a ganhar garantindo que as mudanças necessárias, embora profundas, sejam feitas pacificamente.

As circunstâncias diferem de país para país, mas nunca na história houve tantas pessoas razoavelmente instruídas, armadas coletivamente com um arsenal de conhecimentos tão diversificados. Nunca tantos gozaram um nível de influência tão elevado, precário talvez, mas suficientemente amplo para lhes proporcionar tempo e energia para que alimente preocupações cívicas e ajam.

São as tentativas de bloquear as mudanças e não as mudanças em si, que elevam o nível do risco. É a tentativa cega de defender a obsolescência que cria o perigo.

Não devemos esperar que muitos dos líderes nominais de hoje – presidentes e políticos, senadores e deputados, governadores, empresários e líderes sindicais – desafiem as instituições que, por mais obsoletas que sejam lhes dão prestígio, dinheiro e a ilusão, senão a realidade, de poder.

A responsabilidade da mudança, por conseguinte, cabe a nós. Precisamos começar conosco, aprendendo a não fechar nossas mentes prematuramente ao que é novo surpreendente ou aparentemente radical.

Se começarmos agora, nós e nossos filhos poderemos tomar parte na emocionante reconstituição não somente de nossas estruturas políticas obsoletas, mas da própria civilização. Temos um destino a criar.

 

INDAGUEMO-NOS

2 02UTC setembro 02UTC 2009

Garantir o continuísmo da espécie, revelar utilidade geral e adaptar-se aos movimentos da vida são característicos dos próprios irracionais.

 

O homem vulgar, de muitos milênios para cá, vem comendo e bebendo, dormindo e agindo sem diferenças essenciais, na ordem coletiva.

 

Indaguemo-nos – o que de extraordinário estamos fazendo?

 

ü     Crias coragem, alegria e estímulo, em derredor de ti?

 

ü     Sabes improvisar o bem, onde outras pessoas se mostram infrutíferas?

 

ü     Aproveitas, com êxito, o material que outrem desprezou por imprestável?

 

ü     Aguardas com paciência, onde outros desesperam?

 

ü     Conservas o espírito de serviço, onde o descrente congelou o espírito de ação?

 

ü     Partilhas a alegria de teus amigos, sem inveja e sem ciúme?

 

ü     Participas do sofrimento de teus adversários, sem falsa superioridade e sem alarde?

 

ü     Que dás de ti mesmo?

 

Trabalhar no horário comum irrepreensivelmente, cuidar dos deveres domésticos, satisfazer exigências legais e exercitar a correção de proceder, fazendo o bastante na esfera das obrigações inadiáveis, são tarefas fundamentais peculiares a crentes e descrentes. Falta-nos a essência.

 

Indaguemo-nos

 

       O que de extraordinário estamos fazendo?

 

Só então seremos a nossa essência na ordem coletiva racional.

 

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