GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

Uma nova civilização.

23 23UTC julho 23UTC 2009

Aproximadamente há dez milênios, começou a era agrícola da humanidade, que se alastrou lentamente pelo planeta, semeando aldeias, povoados, terras cultiváveis e uma nova maneira de vida.

Antes disso, a maioria dos seres humanos vivia em pequenos grupos, muitas vezes migratórios, e se alimentava saqueando, pescando, caçando ou criando rebanhos.

A mudança da Era Agrícola ainda não havia se exaurido, no final do século XVII, quando a Era Industrial eclodiu na Europa e desencadeou a segunda grande mudança planetária.

Esse novo processo começou expandindo-se muito mais rapidamente através de nações e continentes. Portanto, dois processos de mudanças separados e diferentes espraiavam-se simultaneamente na terra a velocidades diferentes.

Na atualidade, a revolução agrícola como foi conhecida, cessou de existir. Apenas umas poucas populações tribais, ainda não foram atingidas pela agricultura. O vigor dessa enorme mudança, fundamentalmente, exauriu-se.

No entanto, a mudança da Era Industrial, tendo revolucionado a vida na Europa, na América do Norte e em algumas outras partes do mundo em poucos séculos, continua se expandido.

Muitos países agitam-se para construir siderúrgicas, fábricas de automóveis, fábricas de tecidos, ferrovias e fábricas de processamento de alimentos. O impulso da industrialização ainda se faz sentir. A Era Industrial ainda não esgotou inteiramente a sua força.

Entretanto, mesmo enquanto esse processo continua, outro, ainda mais importante, começou. Pois, enquanto a maré da industrialização atingia o auge nas décadas que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, uma terceira mudança pouco compreendida começou a despontar, essa chamada de a Revolução do Conhecimento, transformando tudo em que tocava.

Pelo fato de reduzir a necessidade de matérias-primas, mão-de-obra, tempo, espaço, capital e outros insumos, o conhecimento tornou-se o substituto máximo, a fonte essencial de uma economia avançada. E, precisamente por isso, o seu valor não tem limite.

Inexoravelmente, agora precisamos de menos capital para fazer a mesma coisa que exigia mais capital no passado. A Revolução do Conhecimento está reduzindo a necessidade de capital por unidade de exsumo em uma economia industrial que se baseou no capital. Nada poderia ser mais revolucionário.

Por conseguinte, muitos países estão sentindo, simultaneamente o impacto de duas, até mesmo três mudanças completamente diferentes, todas elas deslocando-se a velocidades distintas e impelidas por diferentes graus de força.

Foi precisamente durante essas duas últimas décadas que a Revolução do Conhecimento começou a ganhar força no planeta. A partir de então, ela chegou com pequenas diferenças de datas à maioria das nações industriais.

Hoje, todas as nações passam pelas “dores do parto” propostas pelas mudanças da Revolução do Conhecimento em choque com as economias e instituições obsoletas, incrustadas da industrialização.

Compreender isso é o segredo para entendermos grande parte do conflito político e social que vemos a nossa volta.

Quando uma única mega mudança predomina em uma determinada sociedade, o padrão de desenvolvimento futuro é relativamente fácil de discernir. Assim, no século XIX, muitos pensadores, líderes empresariais, políticos e gente comum tinham uma imagem clara, basicamente correta do futuro.

Eles pressentiram que a história estava caminhando para o triunfo absoluto do industrialismo sobre a agricultura pré-mecanizada e previram muitas das mudanças que viriam: tecnologias mais poderosas, maiores cidades, transportes mais rápido e assim por diante.

Partidos e movimentos políticos puderam elaborar estratégias com respeito ao futuro. Interesses agrícolas e pré-industriais organizaram uma ação de retaguarda contra o industrialismo abusivo, contra “grandes empresas”, contra os “líderes sindicais”, contra as “cidades pecaminosas”. As forças trabalhistas e patronais disputaram o controle das principais alavancas da sociedade industrial emergente.

Minorias étnicas e raciais, definindo seus direitos em termos de um papel mais relevante no mundo industrial, exigiram acesso a empregos, cargos corporativos, habitação urbana, melhores salários, educação e saúde pública em massa.

A imagem compartilhada de um futuro industrializado, psicologicamente, apresentou uma tendência para definir opções, para dar aos indivíduos sentido não apenas de quem eram ou o que eram, mas do que provavelmente viriam a ser. Proporcionou um grau de estabilidade e um sentido de auto-afirmação, mesmo em meio a uma mudança social extrema.

Por outro lado, quando uma sociedade é submetida a duas ou mais mega mudanças, e nenhuma é ainda claramente dominante, a imagem do futuro se estilhaça. Torna-se extremamente difícil perceber e aceitar o significado das mudanças e conflitos que surgem.

A colisão de interesses cria um oceano enfurecido repleto de correntes que se entrechocam e ocultam o progresso histórico mais profundo e importante da nova civilização que se forma.

Cria tensões sociais, perigosos e estranhos conflitos que permeiam as costumeiras divisões de classe, raça, sexo ou partido. Estraçalha vocabulários políticos tradicionais e torna muito difícil separar progressistas e reacionários, amigos e inimigos. Todas as velhas polarizações e coalisões se desmantelam e a aparente incoerência da vida política reflete-se na desintegração da personalidade.

Na verdade, há uma ordem oculta peculiar que se torna detectável assim que aprendemos a distinguir as mudanças da Era do Conhecimento das associadas à Era industrial que se retrai.

As tendências que se entrecruzam, criadas por essas mudanças, refletem-se em nosso trabalho, vida familiar, atitudes sexuais e moralidade pessoal. Isso porque, agora convivemos em nossas vidas pessoais e atos políticos, tenhamos ou não consciência disso, com gente essencialmente comprometida com a manutenção de uma ordem agonizante, gente da Revolução do Conhecimento construindo um amanhã radicalmente diferente, e ainda uma mistura confusa, contraditória das duas.

A questão essencial, não é quem controla os últimos dias da sociedade industrial, mas quem molda a nova civilização que ascende rapidamente para substituí-la.

De um lado, situam-se os partidários do passado industrial; do outro, milhões que cada vez mais reconhecem que os problemas mais urgentes do mundo não podem mais ser resolvidos dentro dos limites da estrutura de uma ordem industrial. Essa é a nossa “equação essencial” a ser resolvida.

Somente contra esse largo pano de fundo é que poderemos começar a perceber o sentido das manchetes, a determinar as nossas prioridades, a estruturar estratégias sensíveis para a consciência da mudança em nossas vidas.

Uma vez entendido que atualmente se trava uma batalha encarniçada entre os que pretendem preservar o industrialismo e os que buscam superá-lo, teremos uma nova ferramenta para mudar o “status quo”.

Para usar conscientemente essa ferramenta, precisamos ser capazes de distinguir claramente as mudanças que sustentam a civilização industrial das que facilitam a chegada da nova. Precisamos, em suma, compreender tanto a antiga quanto a nova, o sistema industrial, sob o qual tantos de nós nascemos, e a nova civilização do conhecimento na qual nós e nossos filhos habitaremos.

Uma nova civilização está emergindo em nossas vidas, e os cegos – que existem em toda parte – estão tentando suprimi-la. Essa nova civilização traz consigo novos estilos de família; maneiras diferentes de trabalhar, amar e viver; uma nova economia; novos conflitos políticos; e acima de tudo uma consciência modificada.

A Era do Conhecimento trouxe consigo uma maneira de vida genuinamente nova baseada em fontes de energia diversificadas, renováveis; em métodos de produção que tornam a maioria das linhas de montagem das fábricas obsoletas; em famílias novas, não nucleares; em uma nova instituição que poderíamos chamar de “casa eletrônica”; em escolas e corporações do futuro radicalmente modificadas.

Essa nova civilização emergente estabelece um novo código de comportamento para nós e nos transporta para além da padronização, da sincronização e da centralização, para além da concentração de energia, dinheiro e poder.

Essa nova civilização tem a sua própria e distinta concepção de mundo, maneiras próprias de lidar com o tempo, o espaço, a lógica e a relação de causa e efeito. E, felizmente, seus próprios princípios para a política do futuro.

 

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