CONHECIMENTO ESSENCIAL
15 15UTC março 15UTC 2009
…imprescindível à sobrevivência tanto econômica quanto ecológica.
O conhecimento essencial pelo fato de reduzir a necessidade de matérias-primas, mão-de-obra, tempo, espaço, capital e outros insumos, tornou-se o substituto máximo – a fonte essencial de recursos de uma economia avançada de terceiro milênio.
E, precisamente por isso, o seu valor não tem limite.
O conhecimento essencial constitui uma “ameaça” maior a longo prazo para o poder financeiro, do que o trabalho organizado ou partidos políticos anticapitalistas.
Toda essa crise histérica do capital que estamos presenciando, é apenas uma tentativa de revalorizar a sua importância. Pois, relativamente falando, a revolução do conhecimento essencial está reduzindo a necessidade de capital por unidade de exsumo em uma economia que privilegia o capital.
Nada poderia ser mais revolucionário.
O conhecimento essencial também leva à criação de materiais totalmente novos, variando de componentes de aviões a produtos biológicos, e aumenta a nossa capacidade de substituir um material por outro. Conhecimentos mais profundos permitem, hoje, originar materiais sob medida, em nível molecular, para produzir as características térmicas, elétricas ou mecânicas desejadas.
Para algumas commodities é preciso que se diga que a única razão pela qual transportamos grandes quantidades de matérias-primas como bauxita, níquel ou cobre pelo planeta é a de que, apesar de dispormos do conhecimento essencial, ainda não queremos converter as matérias locais em substitutos usáveis.
Devemos nos preparar para cortes drásticos nos custos de transportes e de fabricação. O conhecimento essencial é substituto tanto para recursos quanto para transportes.
O mesmo se aplica à energia. Nada explica melhor a mudança drástica das matrizes energéticas dos países que ocorrerá pelo conhecimento do que as recentes rupturas da supercondutibilidade que, com dispêndio mínimo, diminui a quantidade de energia que atualmente precisa ser transmitida para cada unidade de produção.
Além de substituir materiais, transporte e energia, o conhecimento essencial também economiza tempo.
O tempo na realidade permanece um insumo oculto. Especialmente quando se acelera a mudança, a capacidade de encurtar o tempo – por exemplo, comunicando-se rapidamente ou lançando com presteza novos produtos no mercado – isso pode determinar a diferença entre lucro e prejuízo.
Para compreender as extraordinárias mudanças que já ocorreram, e para antecipar as mudanças ainda mais dramáticas que vêm pela frente, precisamos refletir sobre as principais características da economia essencial do terceiro milênio.
Na economia fundamental do século passado, terra, trabalho, matérias-primas e capital foram os principais fatores de produção. O conhecimento é agora o recurso de produção fundamental da Economia Essencial do Terceiro Milênio, tornando possível reduzir todos os demais insumos usados para criar riqueza.
Mas o conceito de “Conhecimento Essencial” como o substituto máximo, ainda não foi assimilado. A maioria dos economistas, contadores, políticos, empreendedores e detentores do poder atual, estão aturdidos com essa idéia e tende a protelar a sua aceitação porque ela é difícil de ser quantificada.
O que torna a economia do Terceiro milênio revolucionária é o fato de ser o conhecimento essencial um recurso inexaurível, enquanto terra, trabalho, matérias-primas e capital podem ser considerados recursos finitos e manipuláveis por grupos de poder.
Ao contrário de um alto-forno ou de uma linha de montagem, o conhecimento essencial pode ser usado por todas as empresas ao mesmo tempo. E elas podem usá-lo para gerar mais conhecimento essencial.
Por conseguinte, teorias da economia do século passado baseadas em insumos finitos, esgotáveis não se aplicam as economias do Terceiro Milênio.
Economias de escala são frequentemente esmagadas por deseconomias de complexidade. As coisas escapam pelas rachaduras. Os problemas proliferam, anulando qualquer possível vantagem da massificação. A velha idéia de que o maior é necessariamente o melhor torna-se cada vez mais uma falácia.
Hoje em dia, os mercados, as tecnologias e as necessidades dos consumidores mudam tão rapidamente e exercem pressões tão variadas sobre as organizações, que a uniformidade burocrática estará sendo abolida em muito pouco tempo.
Estruturas relativamente padronizadas darão lugar a empresas orgânicas, equipes de projetos ad hoc, centros de desenvolvimento de conhecimento essencial integrados, além das fronteiras nacionais. Uma vez que os mercados mudam constantemente, a posição será menos importante do que a flexibilidade e a capacidade de manobra.
Para adaptarem-se às mudanças vertiginosas, as empresas estão apressadas em desmontar as suas estruturas burocráticas do século passado que mantém organogramas piramidais, monolíticas e burocráticas.
Esse novo sistema, embora ainda não tenha sido completado, representa a mais importante mudança isolada na economia global desde a disseminação de fábricas provocada pela revolução industrial.
Infelizmente, grande parte do pensamento econômico não acompanhou esse passo à frente e vem lutando com todas as forças para manter posições de poder a qualquer custo. Mas uma coisa é insofismável, é o conhecimento essencial que aciona a economia, não a economia que aciona o conhecimento essencial.
As sociedades, entretanto, não são máquinas e muito menos bolsas de pseudo-valôres com seus bancos financiadores e muito menos seus computadores. Elas não podem ser meramente reduzidas a hardware e software, base e superestrutura.
Um modelo mais pertinente as retrataria como organismos consistindo em muitos elementos, todos interligados a circuitos de feedback imensamente complexos e em constante processo de modificação.
À medida que a complexidade aumenta, o conhecimento essencial torna-se mais imprescindível à sobrevivência tanto econômica quanto ecológica.

