GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

EVITANDO DEMISSÕES

4 04UTC dezembro 04UTC 2008

Diversas empresas no Brasil e em todo o mundo estão passado pela chamada “crise”, um eufemismo utilizado para designar cortes maciços de pessoal objetivando reduções de custos.

Mas logo no seu ativo mais significativo? É uma atitude de insanidade.

Artigos recentes em revistas especializadas têm abordado o assunto, destacando os efeitos dos cortes de pessoal.

• A lealdade das pessoas em relação à empresa desaparece;

• Em seu lugar fica o medo, que produz na organização uma inevitável queda de motivação;

• O medo faz recrudescer as preocupações com formalidades e aspectos burocráticos, gerando queda de produtividade;

• Os “sobreviventes” passam também a evitar riscos, e a empresa perde sua capacidade de inovar;

• A carga de trabalho torna-se excessiva para os “sobreviventes”, causando estresse e frustração;

• A equipe, reduzida a um mínimo, é incapaz de gerar desenvolvimento, mal conseguindo manter o que já existe;

• Mesmo os profissionais mais talentosos e “prestigiados” passam a procurar emprego para proteger-se de “outros possíveis cortes indiscriminados”;

• Efetuados os cortes, a empresa se enfraquece ainda mais, surgem novos problemas e novos cortes são feitos.

Tem início, assim, um círculo vicioso de efeitos extremamente perniciosos e já conhecidos por todos nós.

O acirramento da competição afetando receitas e margens, retração geral dos negócios, mudança nas “regras do jogo” da economia etc.Essas não são, na verdade, as causas básicas do problema.
Normalmente representam tão somente a gota d’água, que entorna todo o processo.

Do ponto de vista de management, a verdadeira base do problema encontra-se no próprio processo de gestão dessas empresas, inclusive a tentativa absurda de manter negócios que não se enquadram mais na economia do novo século.

Elas chegam à situação de corte como resultado de um acúmulo de erros estratégicos e gerenciais, cometidos ao longo de um período (que pode ser de até alguns anos) e teimam em usar velhos métodos para atingir novos resultados. Impossível.

Os governos, inclusive o do Brasil, falam em falta de liquidez dos mercados. Na verdade o mercado está totalmente irrigado.
Só não emprestam porque estes recursos estão sendo empoçados para defender as posições de parte da economia velha que já quebrou. Mas, sustenta os Bancos que também não têm nenhum sentido numa economia nova, democrática e descentralizada.

Aliás, ninguém precisará de um “ator social” ilíquido, sem compromisso com o desenvolvimento de todos e que ainda cobra muito caro de quase todos, apenas para manter alguns da economia velha. Voltaire há bastante tempo tentou nos alertar quando disse: “O que é roubar um banco comparado com a fundação de um?”.

Empresas do novo século com um bom management conseguem superar barreiras e problemas preservando sua equipe de colaboradores, pois sabem que é por meio dela que geram soluções criativas e eficazes para os desafios que surgem a cada momento.

Respeito pelas pessoas e por seus colaboradores são valores básicos da cultura dessas empresas.
Elas adotam um conjunto de práticas e procedimentos que lhes viabilizam o pleno exercício desses valores.

São medidas preventivas (para evitar chegar a situações de corte) de “hedging” (para assegurar flexibilidade e espaço de manobra nos picos e vales) e atenuadoras/remediais (para minimizar os efeitos negativos de um corte inexorável).

Por meio dessas medidas essas empresas garantem um outro tipo de círculo vicioso, positivo e de excepcional efeito nos resultados da empresa ao longo do tempo:
• Os melhores talentos são preservados;
• A motivação é alta;
• Todos trabalham seguros e livres para se concentrar nas prioridades da empresa.

Nesse clima, e com a força que é gerada por ele, os problemas e obstáculos que surgem são superados com rapidez, planos inovadores de proteção da empresa estão sendo sempre criados e dificilmente a organização chega a situações críticas, que exijam corte maciço de pessoal.

Apenas empresas do velho século poderiam estar adotando o corte de pessoal para reduzir custos ou despesas. E seria por mero comodismo.
Falta de disposição para trabalhar duro na busca de soluções criativas e refinadas para os problemas fazem a empresa adotar a solução “mais fácil” – o corte de pessoal que, por sua vez, alimenta o círculo vicioso e doentio do poder centralizado.

O medo de perder é muito maior do que a vontade de ganhar.

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