GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

UM 2009 AUTO-SUSTENTADO

31 31UTC dezembro 31UTC 2008

As nossas necessidades reais não exorbitam a área das nossas posses.

 

Cada criatura nasce ou renasce dentro do esquema que lhe faculta as melhores possibilidades para ser feliz.

 

A inconformação e a rebeldia, porém, normalmente arma o indivíduo com ambição e violência que geram estados desditosos, mesmo quando ele consegue acumular excessos e quinquilharias a que atribui valores relevantes, exagerados.

 

Nunca faltariam os recursos para a sobrevivência humana auto-sustentada, caso não houvesse nos corações o predomínio do egoísmo, da avareza e do desinteresse fraternal.

CONFIANÇA, UMA REALIDADE A SER CONQUISTADA

15 15UTC dezembro 15UTC 2008

A segunda metade do século XIX transcorre numa Eurásia sacudida pelas contínuas calamidades guerreiras, que se sucedem, truanescas, dizimando vidas e povos.

As admiráveis conquistas da Ciência que se apóia na Tecnologia, não conseguem harmonizar o homem belicoso e insatisfeito, que se deixa dominar pela vaga do materialismo-utilitarista, que o transforma num amontoado orgânico que pensa, a caminho de aniquilamento no túmulo.
Possuir, dominar e gozar por um momento, são a meta a que se atira, desarvorado.

Mal se encerra a guerra da Criméia, em 1856, e já se inquietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cujos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso continente na loucura selvagem que ameaça de consumir a tudo e a todos.

O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o explodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu a terra em seus quadrantes.

Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaço nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos.

Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos.

O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo irreconciliável.

A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo, a uma condição jamais esperada.

Os holocaustos sucedem-se.

Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apóiam.

O homem é reduzido a ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga para a loucura e o suicídio.

Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as mentes jovens e desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existencialismo, do Hippieísmo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais primários, mais violentos.

O homem moderno agoniza, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos.

A sonda investigadora penetra o âmago da vida microscópica e abre todo um universo para informações e esclarecimentos salvadores.

Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, enquanto surgem novas doenças totalmente perturbadoras.

A perplexidade domina as paisagens humanas.

A gritante miséria econômica dos seus pedintes nacionais, multinacionais e os seus governos pagos para administrar o agressivo abandono social, faz das cidades atuais o palco para o crime. A criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis.

Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal.

Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o.

Os distúrbios de comportamento aumentam e o despropósito desgoverna.

Uma imediata urgente reação emocional, cultural, religiosa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo.

A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrindo-se a conhecer pessoas, entender suas semelhanças, respeitar suas diferenças, que gera confiança, que arranca da negação e o cobre de luz, de beleza, de esperança.

A grande noite que constrange é, também, o início da alvorada que surge.

Neste homem atribulado dos nossos dias, a Terra Mãe deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo diferente e uma sociedade infinitamente melhor.

Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de nossa existência corporal.

Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar é o nosso norte, o nosso Bom Combate.

Das Vantagens de Ser Bobo

12 12UTC dezembro 12UTC 2008

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir tocar no mundo.

O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando." Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago.

O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.

É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.

É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector

EVITANDO DEMISSÕES

4 04UTC dezembro 04UTC 2008

Diversas empresas no Brasil e em todo o mundo estão passado pela chamada “crise”, um eufemismo utilizado para designar cortes maciços de pessoal objetivando reduções de custos.

Mas logo no seu ativo mais significativo? É uma atitude de insanidade.

Artigos recentes em revistas especializadas têm abordado o assunto, destacando os efeitos dos cortes de pessoal.

• A lealdade das pessoas em relação à empresa desaparece;

• Em seu lugar fica o medo, que produz na organização uma inevitável queda de motivação;

• O medo faz recrudescer as preocupações com formalidades e aspectos burocráticos, gerando queda de produtividade;

• Os “sobreviventes” passam também a evitar riscos, e a empresa perde sua capacidade de inovar;

• A carga de trabalho torna-se excessiva para os “sobreviventes”, causando estresse e frustração;

• A equipe, reduzida a um mínimo, é incapaz de gerar desenvolvimento, mal conseguindo manter o que já existe;

• Mesmo os profissionais mais talentosos e “prestigiados” passam a procurar emprego para proteger-se de “outros possíveis cortes indiscriminados”;

• Efetuados os cortes, a empresa se enfraquece ainda mais, surgem novos problemas e novos cortes são feitos.

Tem início, assim, um círculo vicioso de efeitos extremamente perniciosos e já conhecidos por todos nós.

O acirramento da competição afetando receitas e margens, retração geral dos negócios, mudança nas “regras do jogo” da economia etc.Essas não são, na verdade, as causas básicas do problema.
Normalmente representam tão somente a gota d’água, que entorna todo o processo.

Do ponto de vista de management, a verdadeira base do problema encontra-se no próprio processo de gestão dessas empresas, inclusive a tentativa absurda de manter negócios que não se enquadram mais na economia do novo século.

Elas chegam à situação de corte como resultado de um acúmulo de erros estratégicos e gerenciais, cometidos ao longo de um período (que pode ser de até alguns anos) e teimam em usar velhos métodos para atingir novos resultados. Impossível.

Os governos, inclusive o do Brasil, falam em falta de liquidez dos mercados. Na verdade o mercado está totalmente irrigado.
Só não emprestam porque estes recursos estão sendo empoçados para defender as posições de parte da economia velha que já quebrou. Mas, sustenta os Bancos que também não têm nenhum sentido numa economia nova, democrática e descentralizada.

Aliás, ninguém precisará de um “ator social” ilíquido, sem compromisso com o desenvolvimento de todos e que ainda cobra muito caro de quase todos, apenas para manter alguns da economia velha. Voltaire há bastante tempo tentou nos alertar quando disse: “O que é roubar um banco comparado com a fundação de um?”.

Empresas do novo século com um bom management conseguem superar barreiras e problemas preservando sua equipe de colaboradores, pois sabem que é por meio dela que geram soluções criativas e eficazes para os desafios que surgem a cada momento.

Respeito pelas pessoas e por seus colaboradores são valores básicos da cultura dessas empresas.
Elas adotam um conjunto de práticas e procedimentos que lhes viabilizam o pleno exercício desses valores.

São medidas preventivas (para evitar chegar a situações de corte) de “hedging” (para assegurar flexibilidade e espaço de manobra nos picos e vales) e atenuadoras/remediais (para minimizar os efeitos negativos de um corte inexorável).

Por meio dessas medidas essas empresas garantem um outro tipo de círculo vicioso, positivo e de excepcional efeito nos resultados da empresa ao longo do tempo:
• Os melhores talentos são preservados;
• A motivação é alta;
• Todos trabalham seguros e livres para se concentrar nas prioridades da empresa.

Nesse clima, e com a força que é gerada por ele, os problemas e obstáculos que surgem são superados com rapidez, planos inovadores de proteção da empresa estão sendo sempre criados e dificilmente a organização chega a situações críticas, que exijam corte maciço de pessoal.

Apenas empresas do velho século poderiam estar adotando o corte de pessoal para reduzir custos ou despesas. E seria por mero comodismo.
Falta de disposição para trabalhar duro na busca de soluções criativas e refinadas para os problemas fazem a empresa adotar a solução “mais fácil” – o corte de pessoal que, por sua vez, alimenta o círculo vicioso e doentio do poder centralizado.

O medo de perder é muito maior do que a vontade de ganhar.

ESTRATÉGIAS 2009

2 02UTC dezembro 02UTC 2008

A geração de estratégias de elevado potencial de contribuição para a prosperidade da empresa requer extrema sensibilidade às transformações de valores em curso no ambiente maior.

A emergência da sociedade da informação e do conhecimento e a mudança de paradigmas associada, alteram profundamente as “verdades” estratégicas que têm predominado nas últimas décadas.

A formulação de estratégias para assegurar espaços de mercado no presente e no futuro requer a prática imediata de novos referenciais mentais:

(1) Em um ambiente de mudanças velozes – em que consumidores alteram rapidamente suas preferências e inovação é a palavra-chave para sua conquista – posturas tradicionais de defesa de espaços precisam ser suplantadas pela postura de permanente criação de novos espaços;

(2) A própria velocidade dessa criação de novos espaços faz com que a tradicional definição de “qual é nosso negócio básico” seja substituída pela criação de competências básicas que possibilitem o ingresso rápido em vários “negócios” – na acepção clássica – diferentes, muitas vezes até aparentemente incompatíveis;

(3) Nessa nova realidade competitiva as empresas que praticam o conceito convencional de deixar-se guiar pelas necessidades e preferências dos consumidores atuais serão facilmente suplantadas por aquelas empresas que superam as expectativas atuais dos consumidores ao gerar formas de atender a necessidades/preferências de que nem os próprios consumidores haviam se apercebido. Isso demanda uma transição do foco de atenção das empresas, que deve deixar de ser os produtos/serviços atualmente produzidos e vendidos para as “funcionalidades” que estão sendo fornecidas aos consumidores.

(4) Nessa arena competitiva de alta turbulência as tradicionais metas de desempenho e lucro lineares, baseadas em um raciocínio incremental em relação ao passado, serão substituídas por metas de desempenho e lucros não-lineares. Elevações exponenciais de resultados e desempenho em prazos fantasticamente curtos são tão possíveis quanto deteriorações assustadores de market-share e lucros que irão levar ao rápido desaparecimento de empresas. A tradicional dimensão de “tempo para chegar a um determinado mercado em outro país” deverá ser substituída pela dimensão de “tempo para bloquear o mercado global”.

(5) Essa, enfim, é uma realidade em que aprender mais rapidamente – inclusive como resultado de tentativas parcialmente frustradas – é mais importante do que maximizar a “taxa de sucessos”. O próprio conceito do que é insucesso se altera: ele passa da visão tradicional do “dinheiro perdido na iniciativa fracassada” para o “dinheiro perdido pela escassez de iniciativas”.

Todos esses novos referenciais em estratégia não significam que práticas tradicionais de formulação estratégica precisem ser abandonadas. A atual mudança de referenciais significa que as formas tradicionais de se formular estratégias (cenários de futuro, processos de planejamento estratégico, definição de missão, objetivos etc.) precisam ser repensadas, complementadas e aprimoradas dentro dos novos conceitos.

Esta reflexão tem em sua essência a busca por esse equilíbrio entre o que é bom nos processos tradicionais de formulação estratégica e o estado-da-arte na prática de estratégias. Nesse espírito, reiterando a formulação de estratégias como uma atribuição essencial – uma responsabilidade inalienável – dos executivos de alta administração em posições de linha.

São os líderes de cúpula que devem formular – em sintonia com os diversos stakeholders da organização – uma visão nobre e motivadora do futuro que se deseja para a empresa para que, a partir daí, estratégias coerentes possam ser desenhadas e implantadas com sucesso.

Esse é o conceito moderno de “planejamento visionário”, que está sucedendo ao “planejamento incremental” tradicional. Staffs de planejamento estratégico podem ser auxiliares úteis nesse processo, porém a responsabilidade final pela visão e pelo posicionamento estratégico da empresa está com a alta administração.

Dentro desses valores do novos tempos outras três atitudes estratégicas ganham destaque:

(1) O crescente reconhecimento do mundo como um todo interconectado, de natureza essencialmente orgânica, sugere a passagem de uma postura de dominação e controle para uma de cooperação e parceria. A implantação efetiva de uma atitude de busca e consolidação de alianças e parcerias.

(2) Essa visão do mundo como um todo interconectado está também na base da queda de barreiras globais a que atualmente se assiste. Os novos referenciais mentais para a formulação de estratégias enfatizam a passagem de “ocupar rapidamente mercados locais” para “bloquear mercados globais”. A implantação de uma atitude de participação efetiva na economia-mundo em emergência.

(3) Por fim, uma “nova” atitude estratégica que, na superfície, parece algo tradicional: a proximidade ao cliente. Obviamente um negócio (ou até mesmo uma empresa que não vise lucros) só existe quando existe alguém para ser servido, uma necessidade da sociedade para ser atendida. A diferença é que os novos valores em emergência fazem com que o conceito de proximidade ao cliente assuma uma nova – e mais complexa – dimensão: tratar os consumidores/clientes como seres humanos integrais.

A implantação de uma nova atitude em relação aos clientes atuais e potenciais da empresa, que leve a um nível de proximidade único e difícil de copiar.

O equilíbrio entre essas novas atitudes e posturas estratégicas, acoplado ao aprimoramento das práticas tradicionais de formulação e implantação de estratégias, é que irá constituir-se, com certeza, na principal fonte de vantagem competitiva da empresa e assegurar sua prosperidade a curto, médio e longo prazo.

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