Um destino a ser criado.
11 11UTC novembro 11UTC 2008
O conflito político mais importante de hoje não é entre o rico e o pobre, como nos que fazer acreditar o Presidente Lula.
Menos ainda, entre os grupos étnicos, como se apresentou na eleição do Sr. Obama.
Temos também que nos livrar de concepções ainda mais arcaicas como a da luta equivocada entre capitalismo e socialismo.
O combate decisivo do nosso tempo é entre os que pretendem preservar a sociedade industrial e os que estão preparados para ultrapassá-la em busca do futuro diferente do passado.
Hoje, em cada esfera da vida social, em nossas famílias, nossas escolas, nossas empresas e igrejas, nos nossos sistemas de energia e comunicação, nos confrontamos com a necessidade de criar novas formas de convivência para a sociedade do Terceiro Milênio.
Em nenhum outro campo, entretanto, a obsolescência está mais avançada, ou em mais perigo, do que em nossa vida política. E, em nenhum outro campo, hoje em dia, encontramos menos imaginação, menos experimentação, menos disposição para empreender uma mudança fundamental.
Mesmo pessoas que são audaciosamente inovadoras em seu trabalho – nos seus escritórios de advocacia ou laboratórios, suas cozinhas, salas de aula ou companhias – parecem ficar petrificadas à menor sugestão de que as nossas estruturas políticas são obsoletas e precisam de uma revisão completa.
Tão alarmante é a perspectiva de uma mudança política profunda, com os riscos inerentes, que o status quo, por mais surrealista e opressivo, de repente parece o melhor dos mundos.
Em contrapartida, temos em todas as sociedades um contingente de pseudo-revolucionários, impregnados de suposições obsoletas do século passado, para os quais nenhuma mudança proposta é suficientemente radical.
Fanáticos de direita, arquimarxistas, anarco-românticos, demagogos racistas e religiosos intolerantes, guerrilheiros de pijama e terroristas tementes a Deus, sonhando com tecnocracias totalitárias, utopias medievais ou estados teocráticos.
Mesmo quando avançamos aceleradamente para uma nova zona histórica, eles alimentam sonhos de uma revolução inspirada nas páginas amareladas dos credos políticos de ontem.
A criação de novas estruturas políticas para a civilização do Terceiro Milênio não virá de uma convulsão climática isolada, mas em conseqüência das milhares de inovações e colisões em muitos níveis e em muitos lugares durante décadas.
No entanto, o que se configura à medida que este superdesafio se intensifica não é o replay de qualquer drama revolucionário anterior, como tentam explicar alguns dirigentes – nenhum golpe centralmente arquitetado para derrubar as elites dirigentes por algum “partido de vanguarda” com as massas a reboque; nenhum levante espontâneo, da massa, supostamente catártico, detonado pelo terrorismo.
Muito depende da flexibilidade e da inteligência das elites, subelites e superelites de hoje. Se esses grupos demonstrarem ser tão míopes, desprovidos de imaginação e apavorados como os dirigentes e teóricos do passado resistindo obstinadamente ao mundo do conhecimento, os riscos de violência e destruição serão inevitáveis.
Se, ao contrário, aderirem aos conhecimentos do Terceiro Milênio, se reconhecerem a necessidade de uma democracia ampliada, poderão de fato participar do processo de criação de uma civilização do Terceiro Milênio.
Hoje, as apostas são muito mais altas, o tempo é mais curto, a aceleração maior, os perigos ainda maiores. Mas, acima de tudo, nunca tantos tiveram tanto a ganhar garantindo que as mudanças necessárias, embora profundas, sejam feitas pacificamente.
As circunstâncias diferem de país para país, mas nunca na história houve tantas pessoas razoavelmente instruídas, armadas coletivamente com um arsenal de conhecimentos tão diversificados. Nunca tantos gozaram um nível de influência tão elevado, precário talvez, mas suficientemente amplo para lhes proporcionar tempo e energia para que alimente preocupações cívicas e ajam.
São as tentativas de bloquear as mudanças e não as mudanças em si, que elevam o nível do risco. É a tentativa cega de defender a obsolescência que cria o perigo.
Não devemos esperar que muitos dos líderes nominais de hoje – presidentes e políticos, senadores e deputados, governadores, empresários e líderes sindicais – desafiem as instituições que, por mais obsoletas que sejam, lhes dão prestígio, dinheiro e a ilusão, senão a realidade, de poder.
A responsabilidade da mudança, por conseguinte, cabe a nós. Precisamos começar conosco, aprendendo a não fechar nossas mentes prematuramente ao que é novo, surpreendente ou aparentemente radical.
Se começarmos agora, nós e nossos filhos poderemos tomar parte na emocionante reconstituição não somente de nossas estruturas políticas obsoletas, mas da própria civilização. Temos um destino a criar.

