Confira se você perde ou ganha com a crise
18 18UTC outubro 18UTC 2008
É de absoluta ingenuidade ou total má-fé dizer que as primeiras manifestações da crise econômica que hoje afeta todo o mundo começaram nos Estados Unidos, com bancos e financeiras que concederam empréstimos de risco tendo dificuldades para receber este dinheiro.
Para agravar ainda mais a mentira deslavada afirmam que até os problemas virem à tona, os ganhos com consumidores que sempre estiveram fora do alvo dos bancos, rendeu lucros a estas instituições e seus executivos. Existe algum consumidor que está fora o alvo de bancos – vale lembrar-se dos aposentados.
Na esteira desses lucros os empréstimos de risco nunca foram problema nem nunca serão. Os grandes investidores, donos de ações destas empresas é que montaram uma “ação de negócio”, com o único objetivo de faturar com a valorização dos papéis nas bolsas de valores.
Esta onda de ganhos começou a perder força no começo do ano passado, quando os primeiros bancos divulgaram dificuldades para hiper-valorizarem empresas, que apesar de serem grandes organizações são totalmente incapazes de saciar a ganância do capital do século XIX, que acredita ter valor em si mesmo, isto é, um capital que é apenas insumo e fantasia viver sem um “agente natural” gerador de soluções funcionais para o mercado, diga-se produtos e serviços.
Receber empréstimos que financiaram soluções funcionais para os seres humanos de bens ou serviços, negociados no presente ou em uma bolsa de futuros, nunca gerará nenhum descontrole em nenhuma economia do Planeta. Evidente que à luz de um Plano Estratégico de produção, consumo e distribuição de renda.
Os maus pagadores e os empréstimos arriscados não fazem nem cócegas nos verdadeiros monstros financeiros “Papéis sem nenhuma liquidez” ou “PSNL”. Os efeitos desses PSNL criados por Bancos, Executivos e Investidores geram hoje um compromisso financeiro impossível de ser liquidado apenas porque seus criadores estão inseguros quanto ao futuro.
A taxa de juros.
A taxa de juros, é “uma medida da relutância daqueles que possuem dinheiro em desfazer-se do seu controle líquido sobre ele”. Ou seja, é o prêmio que um agente financeiro recebe ao privar-se de sua liquidez.
Essa preferência pela liquidez de seus ativos por parte dos agentes financeiros se justifica por causa de incerteza quanto ao futuro dos eventos econômicos e do resultado futuro dos investimentos passados e presentes. Por essa razão, os indivíduos preferem manter sua riqueza na forma de dinheiro.
A nossa sugestão é que esses mesmos senhores ampliem suas Pirâmides porque a hora se aproxima.
Por isso, a taxa de juros representa um limite ao investimento produtivo, apenas por ser um trade-off do investidor, quando aplica seu capital em uma ampla carteira de ativos, entre o investimento (capital produtivo) e a liquidez (capital monetário).
O declínio da eficiência marginal do capital decorre do seu crescente excesso de velocidade com o volume demandado o que parece lhe dar “vida própria”. Para ativos de capital produtivo, o limite para o investimento é dado pelo mercado dos bens e serviços reais produzidos com esse capital. Qualquer coisa diferente disso gerará distorções como as que vemos hoje.
Por parte daqueles que se acham donos do capital e da liquidez, será apenas uma tentativa de manter o poder, a qualquer custo, que a velocidade do capital criou sem referência.
O declínio do seu rendimento marginal se dá devido aos crescentes custos financeiros decorrentes de amortizações e dívidas contraídas pela empresa investidora, ou ainda o fluxo de desembolsos para o pagamento desses mesmos bens de capital, o que reduz a condição de liquidez da empresa. Contabilmente em todos os nossos balanços convivemos com o fantasma do ajuste fiscal sem representatividade no caixa. As galinhas dos ovos de ouro também morrem.
Esses fatores aumentam os riscos financeiros assumidos pelos investidores, o que faz com que as suas expectativas de retorno sejam cada vez menores. Ou tratamos com seriedade estas questões levantadas ou estaremos ainda, por muito tempo, construindo o presente como uma sombra do passado.

