GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

Lula critica empresários que não reduziram preços.

26 26UTC maio 26UTC 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (26/05), no Rio de Janeiro, o setor empresarial que reivindicou o fim da CPMF no final do ano passado, mas até o momento não teria repassado o benefício aos consumidores, reduzindo o preço dos produtos.

Disse; "eu vi a guerra que foi feita para diminuir a CPMF. Tiraram R$ 40 bilhões (do Orçamento) e quem perdeu com isso foi o PAC da Saúde. É engraçado, eu não vi nenhum produto reduzir de preço com o fim da CPMF".

Prezado Presidente, permita-me apresentar a definição atual de Commodities: são produtos básicos, homogêneos e de amplo consumo, que podem ser produzidos e negociados por uma ampla gama de empresas.

Podem ser produtos agropecuários, como boi gordo, soja, café; minerais, como ouro, prata, petróleo e platina; industriais, como tecido 100% algodão, poliéster, ferro gusa e açúcar;

E até mesmo financeiros, como as moedas mais requisitadas (dólar e euro), ações de grandes empresas, títulos de governos nacionais, etc.

São negociadas em duas formas: mercado à vista e futuro (fecha-se já um contrato para entrega/pagamento futuro), e nas Bolsas de Mercadorias, são negociadas em quantidades padrões: por exemplo, na BM&F o dólar é negociado em contratos de US$ 10.000 e o café em contratos de 100 sacas de 60 Kgs.

Quando o senhor critica empresários que não reduziram preços, fico sem entender, pois estes empresários e as suas organizações não são capazes de promover esta redução e por isso não serão feitas. Nem a chamada “livre concorrência de mercado” sozinha é capaz de fazê-la. Se quisermos preços justos temos que negociá-los usando “equipes de governo” extremamente competentes, de forma lúcida, democrática e à luz de novos conceitos de “governança planetária”.

A função de qualquer governo democrático, lúcido e isento do século 21 é a de participar desta complexa negociação, por exemplo, com as agências reguladoras que o senhor quase as extinguiu. Mas isso é uma outra história.

A geração de estratégias de elevado potencial de contribuição para a prosperidade dos Países e de seus Povos requer extrema sensibilidade às transformações de valores em curso no ambiente maior.

A emergência da sociedade da informação e do conhecimento e a mudança de paradigmas associada, alteram profundamente as “verdades” estratégicas que têm predominado nas últimas décadas. Principalmente nas “velhas verdades” de governos e empresas.

A formulação de estratégias para assegurar espaços de mercado no presente e no futuro requer a prática imediata de novos referenciais mentais como, por exemplo, desatar o nó civilizatório que nos metemos, vendendo e comprando moedas em Bolsa.

Este mercado de moedas movimenta atualmente 750 trilhões de dólares mensalmente contra um PIB mundial aproximado de 70 trilhões de dólares.

Onde pode estar a verdadeira crise, a não ser a de caráter? Qualquer negociação no mercado à vista ou a prazo nas Bolsas, pressupõe um produto ou serviço entregue ou a ser entregue. Moeda que tem “preço” é fruto de especulação ou erro contábil. Adam Smith vai ter que nos perdoar.

Temos hoje os estoques mais baixos dos últimos trinta anos nos mercados internacionais de todo e qualquer produto além da maior quantidade de moedas e papéis especulativos sem comprometimento com o desenvolvimento do ser humano, das suas comunidades e a manutenção de nossas diversidades.

Mas o senhor nos ofende dizendo que “o setor empresarial que reivindicou o fim da CPMF no final do ano passado, mas até o momento não teria repassado o benefício aos consumidores, reduzindo o preço dos produtos” e ainda, “é engraçado, eu não vi nenhum produto reduzir de preço com o fim da CPMF".

Presidente; como estadista, o seu cargo é infinitamente mais importante do que o de um presidente de sindicato com todo o respeito que merecem os sindicatos.

Como Presidente da República do Brasil deveria estar voltado ao global/macro, com quadros de referência ricos e amplos, sólida cultura geral, interesses e experiências diversificados. Sentir-se parte do mundo e pensar na humanidade no sentido lato, focando o ser humano/universal. Constantemente preocupado com macro-estratégias, macro-questões e grandes oportunidades. Acompanhar com atenção as megatendências de transformação da sociedade e procurar antecipar-se às mudanças. Atuando para desenvolver o mundo e não apenas o Brasil país que dirige, mesmo que sua estratégia seja de distribuição de renda há que se estimular antes a produção. Claro que orientado-a, assim como regulando, mas sem querer produzir. Governos que querem produzir é muito antigo e já se mostrou falido, além de estimular a corrupção.

Acredito que será sempre possível projetar uma visão de futuro diferente e estimulante que, por sua vez, fará com que as pessoas ajam vigorosamente em sua direção.

Mas, antes, as questões sérias precisam ser tratadas com seriedade.

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1 Comentário »

  1. Comentário por Agostinho Lopes — 26 26UTC maio 26UTC 2008 (15:23)

    É o nível de corrupção, representado por um mar de lama, que não diminue nem para de crescer.

    Infelizmente aquele energúmeno fala sem saber o que está dizendo, apenas “jogando para a platéia”, pois, para quem ele fala, interpreta sua fala como o melhor dos paraísos.

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