PLANOS DA EMPRESA E PROPÓSITOS DE VIDA
30 30UTC abril 30UTC 2008
Empresas precisam de talentos para manterem-se competitivas em um ambiente em mutação onde criatividade e inovação são fatores estratégicos de crucial importância.
Por outro lado, os talentos precisam de empresas que abram espaço para a realização de seus propósitos de vida.
O diálogo aberto entre a empresa e as pessoas à busca de realização plena é possível e é o único caminho para uma relação ganha-ganha que definirá as vencedoras – no contexto cada vez mais complexo que caracterizará o mercado nos próximos anos.
A qualidade desse diálogo dependerá de reflexões profundas de ambas as partes (pessoas e empresa).
É preciso quebrar os paradigmas existentes e assegurar um diálogo mais aberto e autêntico na busca de uma nova relação, uma mudança drástica, mas de excepcional importância para todos, inclusive líderes.
EMPRESA
• O que representam as pessoas em nossa organização? Recursos necessários para viabilizar os objetivos definidos pelos acionistas? Ou estão no centro de nossa atividade, na medida em que fazem parte de algo maior, que se busca construir a longo prazo dentro da comunidade em que atuamos?
• Até que ponto reconhecemos que as pessoas têm planos nos quais o trabalho e a empresa representam somente uma das várias dimensões de suas vidas? Até que ponto atuamos como se o trabalho fosse o centro de tudo para estas pessoas?
• O que buscamos quando procuramos atrair e reter talentos para o desenvolvimento de nossa empresa? Pessoas que “se identifiquem” com a empresa? Pessoas cujos propósitos de vida encaixem-se àquilo que a empresa quer? Pessoas “maleáveis”, que se amoldem às necessidades da empresa? Ou buscamos os melhores talentos sabendo que vamos precisar negociar e ajustar os próprios planos para mantê-los na empresa por longo tempo?
• Até que ponto admitimos como válida em nossa empresa a idéia de que seus próprios objetivos e planos refletem o vetor resultante de um grande número de forças que são representadas pelos talentos que ocupam as posições-chave?
• Até que ponto estamos conscientes de que esse processo de ajustamento representa, na verdade, a única forma de se conciliar em parte os objetivos pessoais e os objetivos institucionais?
• Estamos dispostos a engajar a empresa em atividades, serviços ou produtos com o único propósito de abrir espaço para a realização pessoal de determinadas pessoas-chave? Estamos dispostos a “sacrificar” a linearidade de nosso negócio criando soluções não-ortodoxas de parcerias, experimentação em áreas inéditas, em mercados e teste de modelos organizacionais pioneiros para reter talentos e atrair outros?
• Temos trabalhado essas questões de forma profunda na cúpula de nossa empresa, com alto envolvimento de todos nossos principais executivos? Há consenso entre os executivos da alta administração quanto à importância desse assunto na determinação do sucesso a longo prazo da empresa? Estamos dialogando de forma aberta com as pessoas-chave da empresa na busca de referenciais mais autênticos sobre seus objetivos e anseios visando à elaboração de planos de pessoal construídos sobre verdades e um relacionamento sem jogos de aparências?
PESSOA
• Qual o significado do trabalho em minha vida em seu sentido mais amplo? É algo central ou é só um meio para ganhar recursos que por sua vez sustentam as dimensões centrais da vida?
• Aliás, posso dizer que tenho um propósito de vida? Tenho objetivos de curto e longo prazos na área profissional, em termos de educação geral/crescimento pessoal, na área de relacionamentos em geral, na área familiar, em conquistas materiais, em lazer/hobbies, na área de desenvolvimento espiritual/atividade religiosa, em termos de participação na comunidade, em realização como ser humano no sentido mais amplo da expressão?
• Tenho uma escala de valores clara o suficiente que me permita priorizar esses objetivos ao definir os planos de ação? Tenho planos de ação claramente delineados que estejam me conduzindo na direção dos objetivos definidos?
• Meu propósito de vida tem evoluído, se refinado e aperfeiçoado com o tempo?
• Mudanças significativas têm sido feitas ao longo dos anos refletindo minha evolução como ser humano?
• O que estou fazendo profissionalmente está perfeitamente delineado/encaixado em meu propósito de vida? Estou satisfeito com o que faço e com minha evolução? Sinto que estou no caminho certo na busca de minha realização profissional? A empresa na qual trabalho tem valores/cultura/filosofia que me impelem positivamente à frente ou, pelo contrário, me inibem, me seguram e barram o meu desenvolvimento?
• Sinto-me bem no trabalho que desenvolvo hoje? Gosto do que faço? Há outros tipos de trabalho de que gostaria mais? Minha vocação/talento está sendo bem empregado no trabalho atual? Deveria ser diferente? O que é preciso fazer para maximizar o meu nível de satisfação, motivação e envolvimento no trabalho? Estou indo à conquista dessas condições ou estou passivo nesse sentido?
• Tenho dialogado abertamente com minha empresa sobre o que seria ideal em termos profissionais dentro do meu propósito de vida? Ou tenho evitado discutir isso na suposição de que a eventual não compatibilidade entre os objetivos da empresa e os meus possam “prejudicar minha carreira”? Até que ponto essa é uma suposição válida? Por que não buscar compabitilizar os planos da empresa e o meu propósito de vida por meio de negociação construtiva onde eu e a empresa possamos ganhar?
É preciso quebrar os paradigmas existentes e assegurar uma comunicação muito mais aberta e autêntica.

