De segunda a sexta-feira
24 24UTC abril 24UTC 2008
Qualquer organização que ainda esteja formulando os seus princípios e premissas na visão mecânica do mundo por certo terá que encarar uma série de desafios praticamente insuperáveis.
Num mundo mecânico é possível separar todas as partes que compõem um todo, substituí-las e, principalmente, esperar que tudo permaneça imutável.
O que se deseja nesse caso é um ambiente estável, pois a visão mecânica tenderá a não tolerar mudanças rápidas ou repentinas.
Os fenômenos no ambiente organizacional que sugerem o fim gradual da abordagem mecanicista se traduzem em greves, falências e pessoas desnorteadas, seja porque não conseguem entender o que está acontecendo, seja porque estão insatisfeitas demais com o que as culturas organizacionais lhes oferecem.
Esse tipo de visão criou também, num nível mais profundo, uma atitude fragmentada em relação à natureza e aos seus recursos.
De segunda a sexta-feira, a maioria das pessoas pressupõe que a natureza é um sistema mecanicista e inanimado. Seus recursos naturais podem ser armazenados ou explorados irrestritamente, visando apenas a lucros em grande escala.
Porém, nos fins de semana ou durante as férias, a maioria das pessoas nos grandes centros urbanos assume uma atitude completamente diferente em relação à Natureza. Nessas situações a Natureza está viva e cada um se relaciona com ela de modo muito especial.
Às vezes ficamos diante de sérias incongruências quando vemos as pessoas trabalharem duro à custa da exploração irrestrita do mundo natural, para enriquecerem e, então, poderem comprar uma vasta extensão de terra, circundada de uma natureza selvagem e intocada.
Se refletirmos sobre essas incongruências, veremos que por trás de tudo isso há um imenso conflito entre duas visões de mundo – a mecanicista e a sistêmica/ecológica – que subliminarmente influenciam o nosso comportamento.
Por certo, as pessoas que agem nas duas modalidades de visão são as mesmas, porém fazendo experiências diferentes em diferentes dias da semana.
Esse tipo de cisão permeia toda a civilização ocidental e é ele que estabelece um modo de comportamento de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 5:00 (causa da grande crise ecológica que vivemos) e outro modo de comportamento aos sábados e domingos.
Porém, um grande número de pessoas demonstra, por meio de livros que estão sendo escritos e intensas descobertas, que a ciência tem mudado muito e, se os modelos científicos devem continuar a nos ajudar a pensar sobre o futuro funcionamento das organizações, como fizemos nos últimos 300 anos, estaria, então, na hora de olhar para a ciência do século XX e indagar o que ela teria a nos ensinar hoje.
Algumas das abstrações que podemos fazer hoje, olhando para as descobertas da nova ciência, já se encontram exemplificadas em estratégias organizacionais inovadoras.
Vem da ciência a aprendizagem de que é preciso aprender a conviver e lidar com paradoxos que afirmam, por exemplo,
que é possível ter ordem ao mesmo tempo em que se tem autonomia;
ter expressão individual e, ao mesmo tempo, um todo grupal que é coerente;
e que é possível lidar com um tipo de “caos” (que etimologicamente não significa desordem, mas, sim, aquilo que ainda não foi tocado por uma ordem predeterminada) que leva ao desenvolvimento evolutivo e não à destruição.
A reação em cadeia (massa crítica) permeada da qualidade desejada só poderá ocorrer quando incongruências e divisões subliminares forem reconhecidas e transcendidas e todos sejam levados a perceber a unidade e interdependência que existe entre as partes de um todo coeso.

