GESTÃO DO CONHECIMENTO

Um futuro diferente do passado.

Produção nacional de veículos cai 15,5% em abril, diz Anfavea

7 07UTC maio 07UTC 2012

·         No mês, saíram das montadoras 260,8 mil veículos. Restrição maior ao crédito faz estoques subirem e produção diminuir.

 

O volume de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) produzidos no Brasil em abril caiu 15,5%, na comparação com março, divulgou a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nesta segunda-feira (7/05/2012). No mês, foram fabricadas 260.825 unidades contra 308.494 no período anterior. Na comparação com abril de 2011, o desempenho aponta baixa de 7,5%, já que no ano passado foram produzidas 281.960 unidades.

A queda no ritmo da indústria aponta para dois fatores relevantes que têm atingido o setor nos últimos meses: alta na inadimplência, e consequente aperto por parte dos bancos na liberação de crédito, e a perda de espaço no mercado externo.

“Quem sabe a ideia é manter o carro nacional o mais caro do mundo – pois no momento em que juros estão sendo reduzido o segmento reduz a produção e os Bancos, que sempre foram os maiores parceiros da nossa velha indústria automobilística, aperta a liberação do crédito. Não vão nem precisar explicar para Dona Dilma”.

De acordo com o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, a inadimplência subiu de 3% em 2011 para 5,7% neste ano, sendo a inadimplência de todos os bens de 7,2%. Já o volume de crédito disponível em março ficou em R$ 201, 3 bilhões, contra R$ 189 bilhões no ano passado, apesar de se tratar de um aumento de 6%, esse crescimento está menor do que o observado em períodos anteriores. "Houve redução no crédito, antes crescia mais, em torno de 10% e 12%", afirma Belini.

Por tais motivos, o resultado do acumulado do primeiro quadrimestre também é negativo, com baixa de 10,1% sobre o mesmo período do ano passado. Na soma dos quatro meses, saíram das linhas de montagem 998.931 veículos, contra 1.110.581 em 2011. Ao destacar o desempenho por segmento, as maiores quedas no acumulado são notadas na produção de ônibus e caminhões, de 35% e de 30,3%, respectivamente. Ao todo, saíram das linhas neste ano 8.929 unidades de ônibus e 42.902 unidades de caminhões. Em 2011, já eram 13.735 ônibus e 61.528 caminhões.

O segmento de automóveis e comerciais leves (picapes, utilitários esportivos etc.) também apresentou desaceleração, com queda de 8,5% na produção. De janeiro a abril saíram das linhas 947,1 mil unidades. No mesmo período de 2011, a marca produzida já atingia 1.035.318 unidades.

Mesmo com o pé no freio na produção, os estoques em abril correspondem a 43 dias de vendas, com 366.500 unidades "guardadas" nas concessionárias (254.880) e montadoras (111.620). Em março, eram 35 dias, com 349.460 veículos estocados. "Precisamos melhorar o ritmo das vendas para reduzir os estoques", explica Belini.

Exportações
Em abril, as exportações em unidades subiram 15,3% em relação ao mês de março, de 42.225 veículos para 48.692. No entanto, ao comparar com abril de 2011, as vendas externas neste ano estão 0,5% mais baixas - em abril do ano passado foram exportadas 48.928 unidades.
Por outro lado, no acumulado do quadrimestre, a parte da produzida voltada aos mercados fora do Brasil sofreu redução mais significativa, de 4,9%. Foram 168.727 unidades exportadas no ano passado contra 160.453 veículos neste ano.

Ao considerar as vendas externas em valores, a situação muda um pouco. Abril fechou com US$ 1,38 bilhão exportados, queda de 4,3% sobre março, com US$ 1,44 bilhão. Na comparação com abril de 2011, há alta de 5,7%, pois no período do ano passado foram exportados o equivalente a US$ 1,31 bilhão. O acumulado de janeiro a abril deste ano aponta alta de 13,9%, de US$ 4,6 bilhões para US$ 5,24 bilhões, o que confirma que as montadoras continuam a reajustar preços para não perderem a rentabilidade das exportações, além de venderem no exterior produtos com maior valor agregado, em especial, caminhões.

CKD
As exportações de veículos desmontados (CKD) foram de 2.496 unidades em abril. No mesmo mês do ano passado a marca foi de 2.131. No acumulado deste ano, as exportações em CKD já somam 9.444 unidades, sendo 7.344 automóveis e comerciais leves e 2.100 ônibus e caminhões.

Vendas em queda

De acordo com a Anfavea, foram emplacadas 257.885 unidades em abril e 1.076.249 veículos de janeiro a abril. Queda de 14,2% e 3,4% sobre os períodos correspondentes do ano passado. Embora a queda das vendas tenha afetado fortemente a produção, o presidente da Anfavea ressalta que abril teve menor número de dias úteis. "Abril teve 20 dias úteis e março, 22. O mês foi afetado pela Semana Santa e o 1º de Maio, quando as pessoas fizeram ponte de folga", ressalta Belini.

Importados

Os veículos importados representaram 22,6% dos licenciamentos de abril, com 58.379 unidades emplacadas. Na soma de janeiro a abril, a participação dos veículos de outros países chega a 24%, com 258.381 unidades. Embora significativa, tal representatividade tem caído por conta do aumento dos impostos sobre os importados e da mudança do acordo de livre comércio com o México. Assim, as vendas de importados em abril caíram 17,6% sobre março e 8,9% sobre abril do ano passado. Mesmo assim, no acumulado, os importados mostram alta de 5,1%.

Emprego

O nível de empregos diretos nas montadoras ficou estável em abril na comparação com março, com 145.063 pessoas contratadas. Porém, em relação a abril do ano passado, há aumento de 2,9%, de 140.928 para 145.063 pessoas.

Previsões para 2012

As previsões da Anfavea para este ano só serão revistas no fim do primeiro semestre, diz Cledorvino Belini. Por enquanto, a entidade trabalha com alta entre 4% e 5% das vendas internas (3,8 milhões de unidades); queda de 5,5% das exportações em unidades (510 mil) e de 3% em valores (US$ 15 bilhões); e aumento de 2% da produção, para 3,47 milhões de unidades.

"Esta é a nossa velha indústria automobilística!

Acredite se quiser!"

 

CONHECIMENTO ESSENCIAL

3 03UTC maio 03UTC 2012

…imprescindível à sobrevivência tanto econômica quanto ecológica.

O conhecimento essencial pelo fato de reduzir a necessidade de matérias-primas, mão de obra, tempo, espaço, capital e outros insumos, tornou-se o substituto máximo – a fonte essencial de recursos de uma economia avançada de terceiro milênio.

E, precisamente por isso, o seu valor não tem limite.

O conhecimento essencial constitui uma “ameaça” maior em longo prazo para o poder financeiro, do que o trabalho organizado ou partidos políticos anticapitalistas.

Toda essa crise histérica do capital que estamos presenciando, é apenas uma tentativa de revalorizar a sua importância. Pois, relativamente falando, a revolução do conhecimento essencial está reduzindo a necessidade de capital por unidade de exsumo em uma economia que privilegia o capital.

Nada poderia ser mais revolucionário.

O conhecimento essencial também leva à criação de materiais totalmente novos, variando de componentes de aviões a produtos biológicos, e aumenta a nossa capacidade de substituir um material por outro. Conhecimentos mais profundos permitem, hoje, originar materiais sob medida, em nível molecular, para produzir as características térmicas, elétricas ou mecânicas desejadas.

Para algumas commodities é preciso que se diga que a única razão pela qual transportamos grandes quantidades de matérias-primas como bauxita, níquel ou cobre pelo planeta é a de que, apesar de dispormos do conhecimento essencial, ainda não queremos converter as matérias locais em substitutos usáveis.

Devemos nos preparar para cortes drásticos nos custos de transportes e de fabricação. O conhecimento essencial é substituto tanto para recursos quanto para transportes.

O mesmo se aplica à energia. Nada explica melhor a mudança drástica das matrizes energéticas dos países que ocorrerá pelo conhecimento do que as recentes rupturas da supercondutibilidade que, com dispêndio mínimo, diminui a quantidade de energia que atualmente precisa ser transmitida para cada unidade de produção.

 

 

Além de substituir materiais, transporte e energia, o conhecimento essencial também economiza tempo.

O tempo na realidade permanece um insumo oculto. Especialmente quando se acelera a mudança, a capacidade de encurtar o tempo – por exemplo, comunicando-se rapidamente ou lançando com presteza novos produtos no mercado – isso pode determinar a diferença entre lucro e prejuízo.

Para compreender as extraordinárias mudanças que já ocorreram, e para antecipar as mudanças ainda mais dramáticas que vêm pela frente, precisamos refletir sobre as principais características da economia essencial do terceiro milênio.

Na economia fundamental do século passado, terra, trabalho, matérias-primas e capital foram os principais fatores de produção. O conhecimento é agora o recurso de produção fundamental da Economia Essencial do Terceiro Milênio, tornando possível reduzir todos os demais insumos usados para criar riqueza.

Mas o conceito de “Conhecimento Essencial” como o substituto máximo, ainda não foi assimilado. A maioria dos economistas, contadores, políticos, empreendedores e detentores do poder atual, estão aturdidos com essa ideia e tende a protelar a sua aceitação porque ela é difícil de ser quantificada.

O que torna a economia do Terceiro milênio revolucionária é o fato de ser o conhecimento essencial um recurso inexaurível, enquanto terra, trabalho, matérias-primas e capital podem ser considerados recursos finitos e manipuláveis por grupos de poder.

Ao contrário de um alto-forno ou de uma linha de montagem, o conhecimento essencial pode ser usado por todas as empresas ao mesmo tempo. E elas podem usá-lo para gerar mais conhecimento essencial.

Por conseguinte, teorias da economia do século passado baseadas em insumos finitos, esgotáveis não se aplicam as economias do Terceiro Milênio.

Economias de escala são frequentemente esmagadas por deseconomias de complexidade. As coisas escapam pelas rachaduras. Os problemas proliferam, anulando qualquer possível vantagem da massificação. A velha ideia de que o maior é necessariamente o melhor torna-se cada vez mais uma falácia.

Hoje em dia, os mercados, as tecnologias e as necessidades dos consumidores mudam tão rapidamente e exercem pressões tão variadas sobre as organizações, que a uniformidade burocrática estará sendo abolida em muito pouco tempo.

Estruturas relativamente padronizadas darão lugar a empresas orgânicas, equipes de projetos ad hoc, centros de desenvolvimento de conhecimento essencial  integrados, além das fronteiras nacionais. Uma vez que os mercados mudam constantemente, a posição será menos importante do que a flexibilidade e a capacidade de manobra.

Para adaptarem-se às mudanças vertiginosas, as empresas estão apressadas em desmontar as suas estruturas burocráticas do século passado que mantém organogramas piramidais, monolíticas e burocráticas.

Esse novo sistema, embora ainda não tenha sido completado, representa a mais importante mudança isolada na economia global desde a disseminação de fábricas provocada pela revolução industrial.

Infelizmente, grande parte do pensamento econômico não acompanhou esse passo à frente e vem lutando com todas as forças para manter posições de poder a qualquer custo. Mas uma coisa é insofismável, é o conhecimento essencial que aciona a economia, não a economia que aciona o conhecimento essencial.

As sociedades, entretanto, não são máquinas e muito menos bolsas de pseudo-valôres com seus bancos financiadores e muito menos seus computadores. Elas não podem ser meramente reduzidas a hardware e software, base e superestrutura.

Um modelo mais pertinente as retrataria como organismos consistindo em muitos elementos, todos interligados a circuitos de feedback imensamente complexos e em constante processo de modificação.

À medida que a complexidade aumenta, o conhecimento essencial torna-se mais imprescindível à sobrevivência tanto econômica quanto ecológica.

 

A TERCEIRA INTELIGÊNCIA (QS)

16 16UTC abril 16UTC 2012

"Uma vela não perde a sua chama ascendendo outra."


No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a "descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções." A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual.  Drª DanaZohar - Oxford

No livro QS - Inteligência Espiritual, a física e filósofa americana Dana Zohar, física, aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida.

 

Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas
só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que
descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma
área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas.

O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas

revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: "A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna.Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".

É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS - Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o
quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho.

Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300º Congresso Mundial de
Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training
and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo.

 

Eis os principais trechos da entrevista:

 

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter Propósito na Vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

De que modo essas pesquisas confirmam suas ideias sobre a terceira
inteligência?
Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área os lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

 

Qual a diferença entre QE e QS?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

 

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:

1.   Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo

2.   São levadas por valores. São idealistas

3.   Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade

4.   São holísticas

5.   Celebram a diversidade

6.   Têm independência

7.   Perguntam sempre "por quê?"

8.   Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo

9.   Têm espontaneidade

10. Têm compaixão

 

Tornar-se autêntico

4 04UTC abril 04UTC 2012

Um dia, um homem perguntou a um fundidor de ouro e de prata: “Quando é que o ouro está pronto e que a prata está pronta?” O fundidor respondeu: “Quando, em me debruçando sobre ele, posso reconhecer os traços do meu próprio rosto”. Os alquimistas chamam de Athanor, o lugar da purificação, o lugar onde passamos através do fogo, no qual o ouro se revela no meio dos minerais.

Ao lado do medo do sucesso, do medo de ser invejado pelos outros, do medo de ser diferente dos outros, do medo de conhecer-se a si mesmo, há também esse medo de autenticidade.

A autenticidade tem outra conotação, no sentido heideggeriano do termo. Cada um de nós tem como missão ser o seu Ser verdadeiro. Antes de fazer alguma coisa, nós temos que Ser.

É por isto que ser autêntico nos parece tão difícil. Porque exige de nós a simplicidade de parar de mentir, ou seja, o que nós não amamos, não devemos fazer.

Esta pode parecer uma fala muito estranha porque se não fizermos o que não amamos, não faremos muita coisa. Mas, a autenticidade está em antes de fazermos o que quer que seja, é preciso ser, porque é o nosso ser que vai qualificar todos os nossos atos.

Nós conhecemos bem isto no mundo terapêutico. O mesmo medicamento, segundo a qualificação do profissional que nos receita, terá efeitos diferentes. É por isto que, na formação dos terapeutas, é importante o desenvolvimento de sua qualificação, de sua competência, mas também é muito importante o desenvolvimento da sua qualidade.

Um indivíduo pode ter muitas qualificações, muitos diplomas e muito pouca qualidade. E é preciso ter as duas juntas.

O que deveria ser pedido a cada um de nós antes de ir à luta é enfrentar a sua própria “luta interior”. Devemos então enfrentar os nossos medos interiores. Amar os nossos inimigos que não é em princípio, amar aqueles que nos perseguem, mas aprender a amar esta parte de nós que nós não aceitamos.

Temos que aprender a amar a nossa covardia para poder sair dela. Temos que aprender a não ter mais medo do nosso medo, para nos tornarmos corajosos. Cada um tem um inimigo em si mesmo. Uma parte de si que não quer conhecer, que lhe faz medo, que o ameaça. E se esta parte não é aceita por nós, nós a projetamos para o exterior.

Nós não temos nenhum poder sobre uma pessoa que é autêntica, sobre alguém que é honesto em si mesmo. Você pode lhe dizer tudo o que quiser e não o fará tremer. Mas alguém que mente a si mesmo, mesmo que ele tenha grandes ideias, grandes teorias, diante de certas situações ele se porá a tremer, porque ele não é um com ele mesmo. Porque está dividido em si mesmo.

E é a partir de sua unidade reencontrada, de seu desejo pessoal em unidade com seu desejo transpessoal que cada um de nós vai encontrar a força para enfrentar a luta diária.

 

A economia não é um sistema natural

23 23UTC março 23UTC 2012

Ao olharmos para um planeta ou uma pessoa, vemos que, quando sadios, os sistemas naturais tendem a manter algum tipo de circulação interna que lhes traz nutrição e bem-estar. Esses sistemas naturais têm o poder de limpar e vitalizar o corpo. 

A economia, contudo, não é um sistema natural. Sua estrutura, criada pelo homem, não foi construída a partir de uma perspectiva sistêmica e não foi concebida como uma via de circulação da riqueza do empreendimento humano para todas as partes que o constituem. 

A premissa de nosso modelo econômico é a sobrevivência; é a competição das partes do sistema umas contra as outras. A lei da selva econômica é matar ou morrer; é a sobrevivência do mais forte.

Todas as formas e estruturas de nossa sociedade foram criadas pela mente humana num momento em que estava cheia de medo e ignorância, inconsciente de sua conexão com outras mentes e vidas. 

Agora, nações ou grupo de pessoas começaram a compreender suas interconexões e o fato de que ninguém pode realmente ganhar, a menos que todos ganhem então a competição poderá ter um significado mais elevado.

Ela poderá ser o desafio para o espírito humano empenhar-se além das limitações do passado e criar uma sociedade baseada nos princípios e leis naturais de compartilhamento e ganho mútuo. Promovendo a formação de riquezas capazes de financiar o progresso do planeta e estimular a auto-realização das pessoas.

Nessa nova forma de pensar, as empresas poderão lançar desafios e competir de maneira sadia para incrementar a qualidade de seus produtos e serviços. 

Na verdade, ainda não temos uma compreensão do incrível desperdício de recursos que esse descontrole destrutivo nos custou. Permitimos, até hoje, que impérios econômicos sejam construídos e mantidos por todo o planeta.

Por isso, a competição, como a entendemos, irá eventualmente ceder seu lugar à cooperação. Estudos interculturais de Margaret Mead mostram que a cooperação é mais eficaz que a competição na maximização da produção. 

A cooperação é a tendência natural dos seres humanos de trabalharem juntos pelo bem comum e é um pré-requisito à sobrevivência da família humana.

Hoje, as apostas são muito mais altas, o tempo é mais curto, a aceleração maior, os perigos ainda maiores. Mas, acima de tudo, nunca tantos tiveram tanto a ganhar garantindo que as mudanças necessárias, embora profundas, sejam feitas pacificamente.

As circunstâncias diferem de país para país, mas nunca na história houve tantas pessoas razoavelmente instruídas, armadas coletivamente com um arsenal de conhecimentos tão diversificados.

Nunca tantos gozaram um nível de influência tão elevado, precário talvez, mas suficientemente amplo para lhes proporcionar tempo e energia para que alimente preocupações cívicas e ajam.

São as tentativas de bloquear as mudanças e não as mudanças em si, que elevam o nível do risco. É a tentativa cega de defender a obsolescência que cria o perigo.

Mas, é chegada a hora de imaginarmos alternativas completamente novas, de discutir, discordar, debater e projetar, a partir dos alicerces, a arquitetura monetária e financeira do planeta terra. Diferente do que temos hoje e, talvez, infinitamente melhor.

 

O NOSSO JEITINHO FROUXO E CRETINO DE SER

12 12UTC março 12UTC 2012

Reflexões do General Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Lá se vai mais um ano, e a cada dia torna-se impossível não ser mais orgulhoso de ser brasileiro. Estamos em paz com a nossa consciência (?), pois não importa se vivemos sob a ditadura da corrupção, e que o peculato não é crime, mas sinal de inteligência (gostou do elogio Lupi?), e o que interessa é que vivemos despreocupados, e que o problema é dos outros, não nos interessando se os outros são VOCÊS. 

Depois que do nada viramos um tudo, e passamos a usufruir de carros, mulheres, riquezas, poder e impunidade. Nós atingimos o panteão da esbórnia institucionalizada sem o menor esforço. Não importa que o País esteja estratificado, o que importa é que vivemos em êxtase. No País, testemunhamos um verdadeiro milagre em andamento, que promete durar mais vinte, trinta anos.  

Não adianta falar que a carga tributária do brasileiro está próxima de 40% do PIB, e que o país tem um dos piores índices de qualificação e eficiência de seus serviços públicos. Não importa que o país acumule troféus de incompetência, seja no IDH, o 84º lugar; no analfabetismo, o 95º; na mortalidade infantil, o 106º; na renda per capita, a 71º; e ocupe apenas o 52º lugar entre 110 países da América Latina melhor para se viver, e que estamos no primeiro lugar no mundo em corrupção, com mais de R$ 80 bilhões desviados do bolso de VOCÊS. 

Se alguém afirma que o metrô de Brasília é o mais caro do mundo, não podemos deixar de falar com a boca cheia, que nada devemos às mais avançadas nações do mundo. Sim, quantos países atingiram tal situação?

Quantos países podem taxar os remédios, e o brasileiro é um doente crônico, com 33,9% de impostos, que pagamos sem o menor muxoxo? 
O que importa, se temos apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, e uma participação no comércio mundial em torno de 2%, e que a nossa dívida interna está só em um trilhão e 500 bilhões de reais?

Sem contar, que patrocinamos uma bolsa-família que paga para cinco filhos, e até os quinze anos de idade. E, conforme a necessidade de cooptação de votos, o atual benemérito desgoverno pode ampliar o leque, pois sabe que alguém sempre pagará a conta. 

Devemos apedrejar os que soltam vitupérios contra esta maravilhosa gestão, alegando que no período de janeiro a outubro de 2011, o Governo Federal já gastou R$ 197,7 bilhões de juros da dívida pública. Esse valor astronômico é superior à soma dos orçamentos anuais da saúde e da educação, que somaram R$ 143 bilhões.

Não importa que a presidenta no exterior, impossibilitada de negar-se a dar uma entrevista não diga coisa com coisa e, para piorar, tropece nas palavras, que soam com gritante incoerência. No País, atém-se a um texto pobre, elaborado para não colocar em circuito sua imensa teia de neurônios mortos (provavelmente, durante as sessões de tortura).

Não importa que nada de grandioso tenha sido construído nos últimos dez anos para sedimentar necessidade futuras, seja na infraestrutura seja na educação, pois acreditamos piamente que Deus é brasileiro, e ele nos proverá. Não temos escolas, nem hospitais, mas teremos imensos e majestosos estádios de futebol, pois nossa sede de circo é imensurável. Quanto ao pão, haverá sempre uma bolsa com uma cesta fornecida por ELES, às suas expensas.

Com a inflação subindo, para 2012, modifiquemos os índices dos seus componentes e, ela diminuirá.  
Viram como é fácil?
Sim, estamos orgulhosos, pois apesar de tudo, aumentamos o nosso já elevado índice de aceitação, tanto do EX como da atual presidente.

Sim, somos calhordas, mas quem não é, somos jeitosos, somos coniventes, malandros, aproveitadores e, sabiamente, mandamos o futuro para o inferno. 
É isso aí gente, ninguém vive de valores, ninguém está preocupado com honestidade, com princípios, com justiça, abdicamos de pruridos que na prática tolhem espertezas. 

Por tudo, estamos eufóricos, que se preocupem com o amanhã aqueles que vierem no futuro. A vida atual é boa, não a estraguemos lendo jornais e revistas aos serviços da fajuta oposição.  

O nosso espelho é a metamorfose ambulante, exemplo de que tudo se pode, e no espelho, refletimos a imagem de nosso mestre, e como a dele, as nossas faces enchem-se de orgulho.

Nós somos os caras.
De fato, somos honoris em causa própria, em patifarias, em malandrices; o que trocando em miúdos, nos eleva aos píncaros do gênero cafajeste de ser dos vivaldinos. 

Brasília, DF, 02 de dezembro de 2011 
General Valmir Fonseca Azevedo Pereira.

O TRIUNFO DO INDIVÍDUO

24 24UTC junho 24UTC 2011

Nunca as pessoas foram tão poderosas. Elas podem alavancar mais mudanças do que muitas instituições. São pessoas que criam obras de arte, têm visões de novos negócios, apostam neles, inspiram colegas de trabalho a serem bem sucedidos, emigram para um novo país, experimentam uma espiritualidade transcendente. Mudanças globais têm suas raízes na integridade, comprometimento e ação de indivíduos.

 

Esta é a era do triunfo da responsabilidade individual sobre a anonimidade do coletivo. Dentro de estruturas coletivas – religiões organizadas, sindicatos, partidos políticos, grandes empresas, governos – as pessoas encontram oportunidades de fugir de responsabilidade, abrigando-se sob o manto da burocracia. Quando o indivíduo passa a ser a célula detentora do poder, essa possibilidade deixa de existir.

 

O individualismo atual não é, contudo, um sinônimo de egoísmo. É muito mais do que a necessidade de satisfazer os próprios desejos. É o reconhecimento de que somente o indivíduo, na busca da satisfação de suas necessidades pessoais de realização (na arte, nos negócios, na ciência), pode satisfazer às necessidades da comunidade.

 

O indivíduo consciente do contexto social amplo em que vive e do papel que desempenha contribui para a comunidade, especialmente quando é recompensado de forma justa por seu esforço.

 

Indivíduos poderosos não existem isolados. Indivíduos livremente associados produzem uma comunidade. E em comunidades construídas dessa forma, não há lugar para esconder-se; todos se tornam responsáveis.

 

Em um nível mais elevado, cada indivíduo faz parte de uma comunidade última: a humanidade. Na medida em que se caminha em direção da construção do terceiro milênio, é cada vez mais importante que cada indivíduo seja responsável pela comunidade global, pela humanidade como um todo. É a globalização do interesse pelas pessoas que promoverá ações em prol do bem-estar de todos e não apenas de pessoas da própria cidade ou país.

 

O PROBLEMA DA ESTABILIDADE MONETÁRIA (I)

30 30UTC maio 30UTC 2011

 

A biologia, concebida como guiada pela lei de Deus e como expressão de Sua vontade e pensamento, abraça também todos os fenômenos da vida, desde o moral, intelectual e espiritual, até ao social, histórico e econômico, num monismo absoluto. Assim também o mundo econômico, mesmo no seu caso monetário particular, está ligado ao todo, é reduzível à unidade universal.

O primeiro fenômeno que nos aparece na economia política é o da oferta e da procura. É ele regido pela lei do mínimo meio. Assim como, pela lei da gravidade, o que menos pesa sobrenada, e o que pesa mais afunda-se, assim por esta lei, o que escasseia é valorizado, procurado, e sobressai e flutua sobre as outras coisas; ao passo que o que é abundante e exuberante, é pouco valorizado e afunda-se.

 Mas o fenômeno é também regido pelo princípio geral vigente em nosso plano evolutivo, da luta pela seleção do mais forte, o qual assume em seu aspecto demográfico e bélico a forma de luta armada (guerra) pela conquista do espaço vital, e em seu aspecto econômico a forma da oferta e da procura. Mas só em aparência elas se apresentam com roupagem pacífica.

Se os economistas no-las representam em equilíbrio, como uma balança, na realidade eles são o resultado de uma guerra baseada num egoísmo desencadeado. Na prática, a oferta é o ato com que se busca satisfazer a uma necessidade ou procura, quando, no mundo civilizado, não é mais preciso recorrer à forma primitiva de agressão a mão armada ou ao furto.

 É forma mais evoluída que as outras, imposta, num estado de ordem, para aquisição dos bens, em que somos constrangidos a reconhecer um direito igual em nosso próximo (inimigo, porque rival na procura dos bens). A procura é a busca declarada e direta da satisfação do desejo ou necessidade própria, tentando combinar essa procura com a oferta, mas também tentando aproveitar para vantagem própria todas as fraquezas e necessidades do ofertante.

Embora apresentem os economistas o problema em forma de equilíbrio, em que se contrabalancem os dois impulsos, por trás de suas fórmulas há sempre a mesma realidade biológica que observamos em todos os fenômenos. Revela-nos ela a dura face da luta desapiedada entre egoísmos opostos, na qual cada um deles procura desfrutar, espremer e esmagar o outro para vantagem sua.

Permanece a luta no terreno da posse dos bens, a fim de se poder adquirir o máximo em quantidade e qualidade ou valor, dando em troca o mínimo.

A balança da procura não é igual à da oferta e ao contrário: mas para cada uma das duas partes, a medida “justa” pretende ser esta: tudo para mim, nada para o outro. Na luta, constrangidas pela necessidade de chegar à troca, a fim de satisfazer às próprias necessidades, devem, sem dúvida, as duas partes encontrar-se num ponto intermédio; mas este não é o da justiça equitativa: é apenas o resultante do encontro de duas forças opostas, das quais a mais forte vence a outra, fazendo a balança pender para seu lado.

Esta é a justiça econômica, que vale tanto quanto a justiça bélica ou a política, e assim por diante, em que o mais forte tem razão e estabelece e impõe a justiça para sua vantagem. Assim, a procura põe a mão no prato da balança da oferta e ao contrário.

Por isso, quando a oferta abunda em relação à procura, desvaloriza-se o produto oferecido, porque a procura oferece uma compensação sempre menor correspondente ao crescimento da oferta, aproveitando a abundância do produto e a necessidade que tem o inimigo de dar-lhe saída, para obter a mercadoria a um preço de troca sempre menor.

Por isso, quando aumenta a procura, a oferta aproveita a necessidade e a carência do requisitante, para pedir um preço sempre mais alto, e então o produto oferecido se valoriza. Por isso, também no caso mais simples de troca direta de mercadorias, sem intermediário da moeda, temos para essa luta uma instabilidade de valores ou preços, isto é, o germe das crises econômicas e monetárias, dependendo tudo da estrutura psicológica do animal humano.

É precisamente esse regime de luta, derivado de tal estrutura, a primeira fonte das crises econômicas e da instabilidade monetária. Equilíbrios instáveis. Mas não pode obter-se melhor resultado de uma máquina baseada sobre o egoísmo, e, portanto sobre o encontro de egoísmo, do qual só pode sair vencedor o mais forte.

Baseia-se no nosso atual mundo na falta de reconhecimento das necessidades e direitos do próximo. Não se apoia a sociedade humana numa colaboração harmônica, como deveria ocorrer entre células de um mesmo organismo, mas fundamenta-se na luta entre células, atentas a suprimir-se, para que a mais forte esmague a mais fraca. Isto ocasiona um atrito que a coletividade deve pagar à sua custa.

Assim, querendo cada um vencer para si, age de modo a que todos concordemente percam em parte, ou seja, devam pagar uma taxa comum, uma percentagem de perdas ou consumo para a luta comum de todos contra todos. E isto é absurdo. Mas, no grau atual da evolução, o homem não consegue proceder com mais inteligência.

O organismo social só pode achar a linha de maior rendimento na colaboração, baseada na honestidade e na confiança, filhas de um altruísmo não teórico e vão, mas inteligente e utilitário.

Ora, neste nosso mundo nada disto se pratica e por isso a máquina social funciona com esforço, sem nenhuma consciência coletiva, nem mesmo a que já alcançaram algumas sociedade de insetos, como as abelhas, as formigas, etc. E quando funciona um pouco, é um funcionamento forçado, porque só a imposição de um governo consegue obrigá-la a isso.

Está tudo desgastado e esmagado pelo peso da desconfiança e da contínua resistência do indivíduo contra o interesse coletivo. O egoísmo fecha e divide, sufocando a vida, enquanto o mundo necessita sempre mais de estradas abertas por onde circule, já que a troca é, de natureza, útil e fecunda.

Acontece então que o Estado deve onerar-se com custosa e embaraçosa burocracia, para que tudo seja controlado. Torna-se esta, então, uma odiosa caçadora de transgressores, e os governantes tornam-se inimigos do povo. E surge aquele natural e universal antagonismo entre o Estado e o indivíduo, sempre em luta entre si, como ocorre entre empregados e patrões. Então precisam os governos armar um exército, para manter-se de pé. E assim por diante. E então grande parte da produção, do trabalho, dos bens da nação, precisam ser usados com esse fim, e subtraídos ao gozo de todos.

Em cada anel da cadeia das trocas, que vai do produtor ao consumidor, ninguém procura dar frutos para todos, tornando-se útil à função que exerce: antes, procura explorar todos, impondo, a preço de extorsão, a todos os outros, a sua função, só porque esta serve a ele, embora para a coletividade seja prejuízo.

Assim, o que parece uma graciosa oferta do comerciante, nos negócios, às vezes é apenas uma luta para arrancar do cliente a maior quantidade possível de dinheiro, com uma mercadoria tomada ao produtor pelo mínimo preço possível. Nada produzindo de seu, torna-se ele indispensável a ambos, procurando tirar de ambos todas as vantagens. Estas, se aumenta a produção, são primeiro absorvidas pelo comerciante, sem que atinjam o consumidor; e se a procura aumenta, pode fazer subir o preço, sem que o produtor sinta a vantagem.

Por sua vez, preocupa-se o produtor em satisfazer às necessidades dos outros somente enquanto isto corresponde a seu desejo de lucro. Ele então explora os gostos pervertidos e também os vícios (como a imprensa, que divulga fatos criminais e, em alguns Estados, onde o governo tem monopólio do tabaco, a propaganda que difunde o hábito de fumar).

Estabelecida, portanto, certa produção, atento apenas a satisfazer a seu interesse de vender e embolsar, o produtor é arrastado a conquistar, a qualquer custo, o seu cliente. Nasce então uma propaganda fictícia, dirigida a criar novos gostos, inúteis, com o único fito de dar saída aos produtos, aproveitando-se da sugestionabilidade das massas. É um assalto à boa fé dos simples.

E quanto menos vale o produto, maiores despesas de propaganda pode certamente suportar e portanto mais apto está a invadir o mercado. Mas assim ficou assegurado o cliente.

Assim, a oferta sabe fabricar a procura, de que tem necessidade, e fica assegurada a saída da produção. Tal é a natureza humana, pela qual o médico tende a fabricar os doentes de que precisa, por vezes até aplicando tratamentos e operações cirúrgicas inteiramente desnecessárias e inúteis.

Assim, os ministros de qualquer religião são levados a criar par si mesmos o rebanho dos fiéis ou prosélitos, que justifiquem sua posição ou presença. É sempre o mesmo egoísmo e luta para viver que leva o homem, não a oferecer suas capacidades para a utilidade coletiva, mas a impor-lhe a própria utilidade exclusiva individual. Por isso, tudo se torna um perigo nas mãos dos homens.

No entanto, o erro consiste em acreditar que este seja apenas um dano para o vizinho, e não o próprio, quando este é um dano para todos.

Tanto nos países livres como nas ditaduras, a realidade biológica, feita de luta desapiedada de todos contra todos, é sempre a mesma. Em qualquer parte o peixe maior come o menor, o mais forte esmaga o mais fraco. A mesma coisa é feita em nome dos princípios e ideais mais diferentes. Por vezes pode reduzir-se a liberdade para os mais fracos, os vencidos, apenas à liberdade de morrer de fome.

São gigantescas e tremendas coligações de interesses que regem o mundo. Acusa-se justamente o comunismo de explorar os instintos rapaces das massas, mas isto prova que as massas já tem esses instintos em sua alma. Eis uma qualidade em que, tanto no alto como em baixo, muitos homens são verdadeiramente iguais. Eis onde está a igualdade humana para todas as raças: ilimitada cobiça.

E no entanto, é possível, no mundo econômico, morrer não de fome, mas também de indigestão. Quando caminhamos com tais métodos, o próprio aumento da produção deveria produzir abundância e bem estar, oferecendo tudo a menor preço, aumentando o consumo e elevando o nível de vida.

Mas então a mercadoria se desvaloriza, valoriza-se e desaparece a moeda, e os produtores, para salvar-se da queda dos preços, não produzem mais. Então, para elevar os preços, eles chegam a queimar a mercadoria. E assim, com o sistema do egoísmo e da avidez, chega-se ao absurdo, isto é, que enriquecer com maiores bens mediante o trabalho não é uma vantagem, mas um prejuízo. Não se chega então ao bem estar, mas à crise. E, no entanto, não nos damos conta de quanto isto seja providencial.

Se as leis da vida tendem a nivelar o homem mais num plano de miséria que de riquezas, acontece isto como conseqüência automática da psicologia de abuso que rege o mundo econômico; e é um bem, porque esse homem não deve possuir o poder econômico, dado que só saberia fazer dele péssimo uso, em seu prejuízo.

 

A ESCASSEZ DE LIDERANÇA

24 24UTC maio 24UTC 2011

“Vive-se atualmente uma crise de liderança…”. Hoje em dia é freqüente ouvir frases semelhantes a essa nos mais diferentes círculos, tanto em referência a organizações como ao próprio país.

 

Mas, o que exatamente as pessoas querem dizer com isso? Que há uma “falta crônica” de direção e que as pessoas não sabem para onde ir? Que há burocratas em pontos-chave onde líderes verdadeiros seriam essenciais? Que há menos líderes do que seria necessário – uma escassez generalizada de “pessoas com liderança”?

 

Ou essa sensação de falta de liderança seria resultado de alienação, de falta de envolvimento, de ausência de iniciativa, de passividade generalizada, que fazem as pessoas precisarem de alguém que as guie e conduza praticamente “pela mão”? Quem seriam os burocratas senão pessoas não envolvidas com o objetivo maior subjacente àquilo que executam “cega e mecanicamente”?

 

Há falta de líderes ou, na verdade, há excesso deles que, porém, usam sua força não para conduzir o grupo à consecução dos objetivos institucionais, mas à realização de objetivos próprios – freqüentemente em direto conflito com os da empresa?

 

O problema seria o sistema educacional maior do país não direcionado à formação e desenvolvimento de líderes, mas à geração de técnicos e “subordinados”? Ou a questão seria mais básica – de que o sistema está produzindo pessoas egocentradas, pouco envolvidas com a comunidade e com os objetivos maiores da sociedade, com reflexos na postura das mesmas para com as empresas nas quais passam a trabalhar – principalmente em termos da organização? Não seria a questão da formação de pessoas íntegras e éticas algo que também está no bojo do binômio, educação e liderança?

 

Como é possível liderar em direção aos objetivos do grupo se toda a energia é canalizada à busca de oportunidades de se tirar vantagens pessoais?

 

É preciso ter líderes em todos os pontos-chave da empresa para – por meio de maior descentralização – fazer face às mudanças freqüentes no ambiente e à crescente pressão competitiva.

 

Como, porém, desenvolver uma equipe coesa de líderes se não há nobreza nos próprios objetivos da organização que dê razões fortes para maior envolvimento e identificação por parte das pessoas com potencial de liderança?

 

Quantos dos atuais “líderes” são, na verdade, pessoas que – longe de serem líderes autênticos – são meros “controladores” de pessoas por meio de uso manipulativo de poder/pressão/coerção – correspondidos, em contrapartida, por pessoas que desaprenderam seus próprios direitos e até ignoram seu próprio potencial criativo?

 

 

Quantas organizações fracassam exatamente em função da contínua deterioração da força humana da empresa causada por essa forma de dirigir pessoas?

 

Quantos líderes em potencial são abafados, sufocados e condicionados à passividade – ou mesmo expelidos da empresa pela falta de espaço e abertura para florescimento que a “liderança” inadequada acaba por gerar – num verdadeiro círculo vicioso perde-perde?

 

Por que o Egito não precisou de uma autoridade central?

14 14UTC fevereiro 14UTC 2011

Sistemas naturais distribuem inteligência para fora e rejeitam autoridade central.

 

Eles controlam de baixo para cima.

 

Sempre que algo surge “do nada”, ele surge, na verdade, da interação de partes menores que atuam sem ordens de cima para baixo.

 

Sistemas naturais atingem complexidade criando múltiplas camadas de simplicidade.

 

A complexidade é criada incrementalmente, pela somatória, ao longo do tempo, de módulos simples que podem operar independentemente.

 

Sistemas naturais não apenas mudam: eles mudam a forma de mudar. Eles se organizam em torno de regras automutantes.

 

Se as regras do jogo são definidas de baixo para cima, é provável que as forças interagentes no nível de baixo alterem as regras à medida que o jogo avança.

 

Sistemas naturais sobrevivem pelo encorajamento da diversidade, da excentricidade e da instabilidade.

 

 Eles maximizam os casos extremos.

 

Uma entidade heterogênea e diversa pode adaptar-se ao mundo através de mil pequenas minirrevoluções diárias.

 

Sistemas naturais buscam persistentemente o desequilíbrio, ainda que sejam estáveis, eles não apenas gerenciam mudanças – eles a encorajam. 

 

Uma boa criação é como o jazz: ela deve equilibrar uma fórmula estável com notas “destoantes” freqüentes.

 

Sistemas biológicos são adaptáveis, desenvolvíveis, resilientes e capazes de gerar inovação perpétua – exatamente os atributos necessários para o sucesso sustentado na Nova Economia.

 

Por isso, são o modelo ideal para as organizações e os nossos governos.

 

O nosso desafio é apreciar os pontos fortes dos sistemas naturais e projetar organizações e governos que adotem sua lógica.

 

Esse novo sistema, embora ainda não tenha sido completado, representa a mais importante mudança isolada na economia global desde a disseminação de fábricas provocada pela revolução industrial.

 

Infelizmente, grande parte do pensamento econômico não acompanhou esse passo à frente e vem lutando com todas as forças para manter posições de poder a qualquer custo. Mas uma coisa é insofismável, é o conhecimento que aciona a economia, não a economia que aciona o conhecimento.

 

Um modelo mais pertinente as retrataria como organismos consistindo em muitos elementos, todos interligados a circuitos de feedback imensamente complexos e em constante processo de modificação.

 

À medida que a complexidade aumenta, o conhecimento torna-se mais imprescindível à sobrevivência tanto econômica quanto ecológica.

 

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